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Uma Nova Realidade

COM UMA VELHA JUNTO

Ontem completou-se uma semana da maratona do dia do fechamento da compra da Ecosport. Naquele dia eu pude comprovar quanta coisa se pode fazer numa tarde, praticamente não parando um minuto. Desde dirigir dois carros, esperar ônibus três vezes, fazer compras no supermercado, colocar parafuso minúsculo e haste de óculos no lugar, até levar susto com o antifurto instalado no carro novo.

Fazendo um balanço bem realista, dá para dizer que de uma semana para cá a vida mudou em alguns aspectos (bem relevantes) e não mudou em outros (que são relevantes e não são. ao mesmo tempo).

No lado relevante, a principal mudança fi a de que agora eu não acho que vou levar susto toda vez que entro no carro e viro a chave; não deixo de dormir à noite pensando que se chover vou encontrar o carro cheio de água por dentro, no lado do carona. Pelo lado da tranquilidade, vida nova. Esta é a parte pricipal, objetiva, de total relevância, da história.

A parte que tem e ao mesmo tempo não tem relevância é mais subjetiva, tendo a ver com todo um contexto social e econômico do país. Entretanto, se estou escrevendo sobre ela, alguma relevância tem, ao menos para mim. É difícil explicar o fato de que me divirto com uma questão cultural muito séria, mas o que posso fazer, eu acho engraçado. Por isso este texto está sendo publicado na cagoria Desvarios, porque o pensamento como um todo é meio maluco.

Para começar, tiro uma onda comigo mesmo por causa da minha idade, o jeito como me visto, os lugares por onde circulo.

Eu gosto de shopping. Ah, é tudo mais caro, sim, é, mas nada impede que eu compre os prudutos mais baratos entre os mais caros. No shopping a maioria do pessoal é gurizada. Sim, é, mas raramente vou ao shopping para socializar, a menos que alguma vendedora de alguma loja atente para o fato de eu voltar lá com certa frequência e geralmente não me preocupar com o preço das coisas que vou comprar (logicamente, volto mais em lojas que têm preços mais baratos entre os mais caros). E boa parte das vendedoras não mais tão crianças. Então, como apesar de tudo está na minha cara que eu tembém não sou mais criança, sou tratado como um senhor, o que hoje em dia já não me irrita tanto.

Já percebi que há pessoas que tanto avaliam minha idade de acordo com o que é, e há as que avaliam para baixo. Como sempre, e é uma coisa que todo mundo (e eu escrevi todo mundo, including me) faz, as avaliações se baseiam na aparência.

Já que hoje em dia é possível um camarada arrumar companhia apenas se dando uma pulverizada de uma determinada marca de desodorante, mesmo que não seja um cara bonito (que pode, sim, gostar do que vê quando se olha no espelho, às vezes simplesmente porque não tem outro jeito), uma coisa que percebo que não mudou é o fato de a mulherada não dar muita bola quando eu desfilo pelos lugares, a menos que esteja com uma sacola nas mãos (e já percebi que não sendo de supermercado, não importa de onde), e se antes eu andava como sempre ando, elas não sabiam que me esperava no estacionamento um Santana, sujo, desbotado e em parte enferrujado, agora continua a mesma coisa, porque que elas não sabem que no estacionamento me aguarda uma Ecosport semi nova, com pintura original e pretensamente limpa.

Culturalmente falando, lá fora o carro pode ser muito visado pelo ladrão, mas o novo dono dele não é. De toda maneira, o que para mim é verdadeiramente importante é o fato de que não corro mais o risco de ficar levando susto quando entrar no carro. Deixando claro que não considero susto eventualmente encontrar algum pneu arriado. Do lado de fora, susto é encontrar pneu faltando.

Os maiores sustos levaram, até agora, pessoas que viram eu me aproximar com o carrinho de compras do supermercado de um veículo que elas culturalmente não desconfiavam que fosse meu.


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