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A Hora Chegou

Sento-me agora para escrever, no último dia da primeira semana de uma nova vida. Não é o mesmo que o final de uma primeira semana de férias, por exemplo. Quando estamos em férias, se sabe que um dia teremos que voltar, e queiramos ou não, essa ciência é uma forma de pressão. Quando não se tem que voltar a pressão desaparece.

Também estou ciente de que não é a mesma coisa de não ter que voltar por se ter perdido o emprego.

Eu nunca perdi o emprego. Não posso sequer imaginar o que isso seja, especialmente numa época como a que vivemos desde o final de 2019. Portanto, não posso falar e nem escrever sobre o que desconheço.

O que estou conhecendo agora é uma sensação de leveza. Uma sensação boa, de não ter nenhum arrependimento. Tomar decisões radicais nunca foi meu forte, apesar de ter tomado algumas, ao longo da vida. Não é o meu forte, mas eu as tomo quando acho necessário. A execução é que é sempre demorada, e isso atenua um pouco a aparência de radicalidade. Como algo que funciona para mim, a demora na execução de decisões radicais eu considero um trunfo.

Meu guru Wayne Dyer, que foi uma pessoa que ajudou a mudar não só a minha, mas as vidas de milhares de pessoas (e como ele afirma ao final do filme A Mudança (The Shift), se tiver mudado a vida de apenas uma já teria justificado sua passagem por este planeta). dizia que “nada tem mais força do que uma ideia cuja hora chegou“. É uma afirmação verdadeira. Mas como a gente sabe que a hora de uma ideia chegou?

Porque a dúvida, a incerteza e o medo são as primeiras reações que costumam se apresentar diante de qualquer ideia que nos pareça radical.

Eu soube várias e várias vezes que a hora de uma ideia havia chegado quando a sensação de desconforto com as situações era maior e mais forte do que a de conforto. Uma ideia radical tem a ver com paz de espírito. Ser não há paz de espírito na situação que precisa de mudança, então talvez a ideia não seja assim tão radical. Pode ser uma bênção.

Um bom termômetro são as respostas às perguntas sobre “o que pode acontecer de pior se“.

O que pode acontecer de pior se eu fizer isso ou aquilo? Inclui o que se faz, o que se fala e o que se sente. O que pode acontecer de pior se eu não fizer isso ou aquilo?

Essas perguntas a pessoa pode fazer em seu íntimo, a si mesma, dando a si mesma as respostas, sem precisar falar com ninguém a respeito, se não quiser. Ela tem as respostas dentro de si, e essas respostas lhe dirão o que fazer. Ao pensar em alguma decisão radical, sempre é bom lembrar as palavras do Professor Helio Couto: coragem não é ausência de medo; coragem é agir apesar do medo. E também é bom lembrar as palavras de Napoleon Hill no livro “Mais Esperto que o Diabo“: “medo é a ferramenta de um diabo idealizado pelo homem“.

Medo todos temos, de algo ou alguma coisa. Mas o que pode acontecer de pior se decidirmos enfrentá-lo?


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