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Dia 005 – 2022

quarta

A estiagem no RS já está afetando a agricultura de forma geral. Eu mesmo, como dublê de micro plantador, estou experimentando dificuldades com minha nova leva de sementes de rabanete semeadas nas últimas semanas. Apesar de ter sempre lembrado de regar a hortinha pelo menos duas vezes ao dia. não acho que a semeadura da hora vá vingar. Ontem até deu uma chovida, mas foi pouca coisa.

Hoje o céu continua nublado, mas não há garantia de nada.

Aqui ao lado, em Caxias do Sul, o prefeito está quase decretando o estado de calamidade. Em Nova Petrópolis não dá para dizer que há rio. E as temperaturas seguem bem abrasivas.

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Em uma música de 1988, I Want a Dog, os Pet Shop Boys dizem que querem um cachorro, porque quando chegam em casa querem escutar alguém latindo (ou brincando, ou fazendo festa, como os cães fazem), Segundo a letra da música, gatos não ajudam com isso, ficam só engordando e não dando amor (giving no love and getting fat).

Até há algum fundo de verdade nisso quando se pensa que quando a gente chega em casa a expressão deles costuma ser o equivalente a “oh, não eles voltaram“.

Mas sei lá, acho que depende muito.

Aqui em casa temos duas gatas. Já chegamos de volta de viagem com uma delas miando de felicidade e tentando pular de cima da casa em cima de nós. É a Betta, um doce de mascote, que não tem medo de pessoas, mesmo as estranhas. Se tratar bem, ela fica na roda o tempo todo, e depois até vai para o colo, o que pode ser perigoso.

A outra gata, a Lily, é siamesa, arisca até não poder mais. Quando tem gente estranha (para ela), em casa, ela desaparece até da nossa vista. Em compensação, estando eu a escrever no escritório, pelo menos uma vez no dia ela vem para o meu colo, embaixo da mesa. Só sai quando eu dou a entender que também vou sair daqui.

E mais do que isso: de cada dez vezes que vou ao banheiro, não importa o que vá fazer, em oito não vou sozinho. Sempre há uma (quase sempre a Lily, que começa a me cercar logo que venho para o fundo da casa) ou as duas gatas em volta, e se estou sentado, então, elas querem que fique fazendo carinho. Miam, ficam encarando, se esfregam nas minhas pernas. Gatos fazem tudo por instinto, tudo mesmo, e receber carinho, para elas, deve ser uma coisa muito boa.

Sem ter consciência disso, como falou a Lisi, outro dia, nossas gatas nos amam e fazem de tudo para estar perto de nós.

Se vamos sentar no banco lá fora, elas vão. Se eu levo uma cadeira de praia para sentar em algum ponto do pátio, lá estão elas. Se penduram na cadeira, ou rondam os pés. Querem carinho e ficam nos encarando, como a dizer “e aí?” A Betta não pode saber que a Lisi e eu estamos conversando na cama, tem que subir para participar. Quando estamos sentados na sala, na frente da televisão, ela enfia o focinho na nossa cara, querendo carinho. Depois se aninha sobre as minhas pernas e dorme, chegando a ressonar.

Eu nunca havia tido animais de estimação, assim, e acho engraçado esse apego delas; me pergunto o que será que fiz para que fosse assim, e não vejo nada de mais no meu jeito com elas.

Mas posso afirmar agora que os PSB estavam enganados. Eu gosto de música, mas ela não diz a verdade.


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