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- O DESAFIO da LEITURA

Dia 058 – 2022 / Semana 09

Domingo

A respeito dos acontecimentos da tarde de ontem, em Porto Alegre (e ainda há pessoas que estranham por quê eu saí de lá e não quero mais voltar), que acabaram por adiar o GreNal.

As pessoas que jogaram os objetos (uma barra de ferro e uma pedra que não cabia numa mão) contra o ônibus do Grêmio (bem como as que jogaram uma bomba contra o ônibus do Bahia, outro dia, ou que acessaram o campo para bater em jogadores do Paraná Clube, rebaixado para a segunda divisão paranaense), devem ser presas, julgadas e condenadas por tentativas de homicídio qualificado, por motivos torpes, agravadas pela impossibilidade de defesa das vítimas.

Não têm que ter direito a condicional e o regime de progressão de pena deveria ser abolido no caso delas. Essas pessoas deveriam ter suas identidades reveladas. Não é por causa nem do Bahia, nem do Grêmio, nem do Paraná Clube. É por causa do total desprezo para com a vida humana. Pessoas poderiam ter perdido a vida por conta da selvageria.

No episódio envolvendo o Bahia, uma pessoa inocente que trafegava em seu veículo, nada tendo a ver com os problemas daquele clube, foi atingida pela explosão e precisou ser hospitalizada. As notícias deram conta de que passa bem.

As pessoas que perpetraram as agressões estão cheias de ódio no coração. São pessoas perigosas. Se têm coragem de fazer o que fizeram contra instituições consagradas, escoltadas pela polícia, em locais rodeados por câmeras de segurança que as identificaram em seguida, que outros crimes não serão capazes de cometer em situações com menos vigilância? Não é só do outro lado do mundo que há uma doença beligerante grassando na Humanidade.

Do lado de cá também há (vide o crescimento no Brasil de movimentos neonazistas).

Eu desde criança, apesar de ter escolhido um lado para torcer, e depois de adulto não usar nada vermelho a não ser canetas Bic, nunca tive ódio pelo Internacional e/ou seus torcedores. Repetindo: todos nós temos em nossas famílias, no círculo de amigos, etc, pessoas que torcem para um e para outro lado. Como escrevi, outro dia, o Grêmio não paga as minhas contas, assim como o Inter não paga as contas de seus torcedores. Não existe razão lógica (mas ilógicas, emocionais e irracionais sobram) para querer eliminar o rival da face da Terra,

Para mim sempre foi muito fácil entender que um dia vou morrer e tanto Grêmio quanto Inter continuarão existindo. Mais do que isso: não vão estar nem aí para a minha morte, o que não quer dizer muita coisa, porque eu mesmo não ligo, apesar do emprenho em empurrar o fato um pouco mais para lá. Empurrar a gente pode e deve, mas tem que haver convicção de que é inevitável.

Então, eu não brigo, não entro em discussão acalorada, não arrumo inimizades e muito menos penso em agredir quem quer que seja por gostar de outro time, mesmo que seja o rival direto. Tudo que acontece dentro de campo tem que ficar por lá, tem que ser resolvido por lá, e se um deles vai mal, deve servir de incentivo para que ambos tentem melhorar.

Temos que fazer o possível e o impossível para estancar a progressão da doença beligerante da Humanidade. Ela não pode se alastrar.


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  1. Lisiane Rosa #
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    Pois assim: e quando lembro que ainda criança, uma faixa de 10 anos, ouvia do grupinho de amizades e primos que: Torcer para o Grêmio é coisa de maloqueiro! E eu, na minha inocência besta, para continuar a brincar, mesmo gostando das cores, uniformes e querendo ser gremista como meu pai (entendendo nada de futebol). Aceitava que deveria torcer para o Internacional para não ser “maloqueira”. Pois hoje me questiono: Maloqueiro é a bandeira que escolhi torcer ou minhas ações?! (Ainda entendo nada de futebol). Hoje sou Gremista, porque gosto! E não virei maloqueira!



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