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Distinguir Pra Quê?

HÁ ESPAÇO PARA TODOS 

 Duas matérias que li na ZH de sábado não pararam de martelar na minha cabeça desde então. Na verdade, não são matérias, são colunas, a do jornalista Nilson Souza e a coluna Pesqueiro, do professor Luís Augusto Fischer. As duas tratam de assuntos diferentes, porém, na minha ótica, estão interligadas.

No caso do Nilson, a abordagem é sobre o livro O Poder dos Quietos, da americana Susan Cain. No caso do Fischer, ele trata sobre a influência da literatura sobre a percepção das pessoas. Foi, aliás, um pequeno trecho do que escreveu o professor que me fez ligar seu texto com o de Nilson Souza.

Escreveu Luís Augusto: Quem lê tem agilidade mental; quem lê tem ainda mais presteza, velocidade, capacidade de estabelecer relações de todo tipo. Foi este pequeno trecho que me fez entender o por que de quando estou conversando com pessoas na internet meu raciocínio é muito rápido para ilustrar as conversas com citações de frases, fragmentos de textos literários e/ou pedaços de letras de músicas; foi o que me fez estabelecer uma ligação com o texto do Nilson Souza sobre o livro de Susan Cain, do qual me ocuparei mais adiante.

Escreveu ainda o professor Fischer: Aí está um valor indiscutível da leitura e da literatura. A prova desse ganho pode ser feita em negativo: converse com quem não lê e confira.

Pois é.

Como converso com muita gente tanto ao vivo quanto pela internet, tenho todos os dias a oportunidade de conferir.

Sobre O Poder dos Quietos.

Eu realmente gosto de ficar quieto. Gosto do silêncio, gosto de ficar em silêncio. Segundo Nilson Souza, o livro de Susan Cain denunciao preconceito coletivo contra as pessoas reservadas e o culto exagerado aos carismáticos num mundo em que se convencionou que só os ousados são bem-sucedidos e só os sociáveis são felizes.

De minha parte, não só concordo com o fato de existir o preconceito como acho que ele parte de premissas equivocadas. O mundo está cheio de carismáticos que não têm nada a dizer. Estar cercado de pessoas o tempo todo não quer dizer que se está acrescentando alguma coisa. Pode muito bem ser o contrário, me cerco de pessoas para não ter que pensar em mim, nos meus problemas, e o fato de ter por perto um monte de gente falando ao mesmo tempo camufla o fato de que não tenho nada a declarar.

Uma das minhas esquisitices, e tenho certeza de que é isso que passa pela cabeça de muita gente, é o fato de eu não sentir necessidade de estar sempre cercado de gente. Diga-se de passagem, é quando estou sozinho, muitas vezes em atividade de contemplação, ou exercendo o gosto pela leitura, é que me sinto mais propenso a criar. Meu trabalho é a minha mente. Ela nunca para, mesmo quando estou cercado de pessoas e barulho (o que ainda por um tempo não terei como evitar), só que não é sempre que posso aproveitar as ideias, colocá-las no papel.

É por isso que eu agora entendo por que não gosto de trocar as teclas pelo microfone quando se abre a webcam. Porque ali vão aparecer de maneira ainda mais acentuada as diferenças de quem lê para quem não lê, e eu também percebo isso no dia a dia, falando ao vivo com as pessoas.

Sei que cada um escolhe gastar seu tempo com o que gosta ou com o que necessita. O que eu acho errado é quando as pessoas entendem que só o seu estilo de vida traz felicidade e sucesso. É um conceito bem subjetivo, o sucesso. Nada obriga os extrovertidos a ter que conviver com os introvertidos, e vice-versa. Só porque quem gosta de ficar mais na sua tende a ter uma maior compreensão das coisas e inclusive escuta mais, aprende mais, mesmo que não seja aprendizado sobre qual a melhor bebida alcoólica, nem sobre a melhor droga, o melhor local para balada, ou o melhor jeito de estar cercado de pessoas, é possível aprender tudo isso, mas não se compara ao aprendizado de que esta pode não ser a melhor ideia.


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