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Interação Maligna

OLHANDO de FORA

Haveria muitos assuntos a abordar, hoje, se eu fosse escrever sobre tudo que me chamou a atenção. Só que não sei por onde começar. Tem coisas que estão relacionadas, especialmente no que tange a questão de filhos como um todo, desde o nascimento até a idade adulta e mais um pouco. Até é um tipo de dilema bom, isso. Para fins de estatística de postagens do blogue (e agora lembrei de um outro tema que há horas não abordo aqui), quanto mais assuntos surgirem, e quanto mais puderem ser abordados separadamente, melhor.

O Denarc fechou o Bar do Nelson, no bairro Mont Serrat. Naquele local frequentado por adolescentes de classe alta eram vendidas drogas embutidas nos cardápios servidos, solicitadas por meio de códigos conhecidos tanto pelos usuários quanto pelos garçons e pelo dono do bar, os fornecedores. Uma denúncia anônima deflagou uma operação de investigação que durou dois meses até seu desfecho.

O bar fica perto de uma escola pública e de duas particulares. Agora os adolescentes vão ter que procurar droga em outro local. Se mais perto ou mais longe de casa, vai-se saber mais adiante. O caso é que dificilmente o fechamento do local vai inibir o consumo da droga, porque neste exato momento algum pequeno traficante da redondeza deve estar se achando sortudo o suficiente para tentar fazer crescer um pouco mais seu negócio, para nem falar em se achar esperto o suficiente para não ser pego. Como se o denunciante anônimo uma vez não fosse exercer a prerrogativa de novo, ainda mais se for um pai ou mãe aflitos porque seus filhos estão consumindo drogas.

 O tal pequeno traficante (ou um grande de outra zona da cidade) enxerga uma veia aberta para seu negócio, e ele vai pensar não só o descrito no parágrafo anterior. Vai pensar também que deverá ser rápido, para consolidar seu negócio, porque, vamos combinar, daqui a pouco o Nelson estará de volta ao mercado. Ele não vai ficar muito tempo preso, porque a lei no Brasil é frouxa. Ele vai sair não demora muito, então será preciso correr para arrebanhar clientela.

O que o Nelson vai fazer, num primeiro momento? Se conseguir alvará para manter o bar aberto, voltar a cometer a oura infração, que é vender bebida alcoólica para menores (porque também é preciso combinar que ele também já fazia isso antes).

Assim gira este mercado. O traficante existe por causa do consumidor, e não o contrário. Para os jovens se envolverem com drogas não precisa muita coisa, em geral isso é decorrência de algum problema dentro de casa, que, invariavelmente, começa com os pais. Não tem como fugir disso.

Isso leva a outros dois temas que acabam desembocando em um mesmo: a terceirização da educação dos filhos que muitos pais transferem para a escola e os confrontos entre rivais do tráfico que geram balas perdidas que matam crianças. Em termos de humanidade nada é perfeito, mas eu sou pai de duas pessoas que conviveram muito de perto com a possibilidade de aderir ao consumo de drogas, sem nunca terem experimentado, e também não lembro de ter sido chamado para conversar sobre eles nas secretarias das escolas.

Bato de novo na tecla de que criei os dois sozinho durante um bom tempo, e longe de ser perfeito, o que eles mesmos podem atestar, ainda assim nenhum deles precisou se socorrer de entorpecentes para viver a vida de maneira suportável e livre de complicações. Seja lá o que lhes tenha faltado, não abalou sua capacidade de discernimento com relação ao que podia ou não podia lhes fazer bem ou mal.

Não precisaram sequer experimentar para saber.


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