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Mais uma Sobre Mudança

Faz algum tempo voltei a gravar vídeos para o You Tube, utilizando um antigo canal que havia criado em 2016 quando estava pensando em parar de trabalhar quando completasse 60 anos, o que aconteceu em 2018. Como já mencionei num desses novos vídeos, muitas coisas aconteceram, os planos mudaram, e decidi esticar minha participação na empresa por mais 5 anos, até 2023.

Nos vídeos que venho gravando nos últimos tempos, a principal palavra que tenho utilizado para expressar algumas ideias é “mudança” A mudança é única coisa na vida que nunca muda. De uma maneira ou de outra estamos sempre mudando. Como estamos sempre em convívio conosco, a mudança menos perceptível e mais sutil é a do aspecto físico. Mesmo a gente vendo-a todos os dias ao nos olharmos no espelho, aparentemente nada muda.

Nos habituamos com a lentidão da mudança e nos parece que sempre tivemos aquele aspecto. Por isso fotos e vídeos de nós mesmos em outros tempos nos surpreendem tanto, e pior, ainda nos vemos como éramos anteriormente.

Uma das coisas que aprendi nos últimos tempos é que as pessoas não são resistentes a mudanças. As pessoas resistem a serem mudadas. É bem diferente. A mudança, quando acontece com base no raciocínio, na reflexão que a pessoa faz sobre si mesma e que a faz querer mudar algo em sua vida, é quase sempre bem vinda. Quando a pessoa reflete que alguma coisa precisa mudar, às vezes ela não gostando de ter que fazer, ela faz, porque sabe que é necessário.

A mudança imposta é sempre dolorosa e gera muita resistência, do ponto de vista da pessoa que a sofre, sempre justificável: não era algo que ela quisesse.

Mas eu não poderia estar escrevendo sobre mudança se eu mesmo neste momento não estivesse prestes a passar por mais uma.

Falar sobre a mudança de uma cidade outra, em função da pandemia de coronavírus e da circunstância do teletrabalho pareceu fácil, mas eu não mencionei que aquando mudamos duas coisas já eram sabidas: primeiro, que a empresa não me daria uma transferência para a a regional de Caxias do Sul (e agora, quase um ano depois da mudança, a empresa anunciou a extinção das unidades regionais). Segundo, que quando a questão da pandemia estivesse definitivamente resolvida (o que ainda vai demorar um pouco), eu não voltaria para o trabalho presencial, por questões óbvias de distância e deslocamentos.

Agora, antes de tudo isso acontecer, surgiu o lançamento de um Plano de Desligamento Voluntário (PDV) na empresa, ao qual eu aderi e no próximo mês de julho estarei saindo de lá.

Se a pessoa sente medo, num momento como este? É claro. É o mesmo medo (apesar de não ter aparentado) sentido quando saiu a mudança de cidade. Mas uma outra coisa que aprendi nos últimos tempos é que coragem não é ausência de medo. Ter coragem é agir apesar do medo.  O medo é o grande inimigo de qualquer ação que a pessoa possa imaginar fazer. Ele existe para nos proteger. É natural que o sintamos.

Mas, como aprendi com o Dyer, nada tem mais força do que uma ideia cuja hora chegou. A ideia já havia sido plantada a partir do momento em que entramos em greve, na empresa, no mês de Fevereiro.

Quando minha esposa e eu viemos para Nova Petrópolis, em julho de 2020, o fizemos com a ideia e intenção de empreender. Sabíamos que tínhamos a capacidade de desenvolver mais de um tipo de atividades que poderiam prover nosso sustento (nunca esquecendo que também tenho a verba da aposentadoria do INSS). 

A expectativa de empreendedorismo já estava no meu radar pessoal fazia muito tempo, e a mudança de cidade tornou ainda mais desconfortável para mim a ideia de pensar como funcionário do governo. O ápice desse desconforto aconteceu no momento da greve, quando definitivamente desisti de ficar lutando contra a perda de direitos, (a meu ver) mendigando a manutenção de cláusulas de dissídio que havíamos também conquistado com greves, mas agora não só as pessoas (especialmente colegas mais novos e tragicamente colegas mais antigos) não estavam querendo lutar por reajustes salariais com índices atualizados, assim como não queriam lutar para evitar mais perdas. 

Eu simplesmente não me identifiquei mais com aquilo. Não me identifico mais. Então, quando surgiu a oportunidade do PDV, eu senti medo, claro, mas o medo não foi maior do que a sensação de desconforto de ainda fazer parte de um grupo de trabalhadores desvalorizados e sem perspectivas de melhora no tratamento por parte do Governo do Estado.

Ou seja, quando gravo vídeos falando sobre mudanças, além das que já promovi ao longo dos anos, estou falando sobre mais uma que já é certo que virá.

E sobre o medo?

Já passou. Assim como tenho literalmente transformado limões em limonada, com produção de um limoeiro da casa (bem como sucos de duas laranjeiras de espécies distintas), vou agora atuar moderadamente em uma ou duas áreas em que sou bom, e moderadamente em outras em que ainda sou aprendiz.

Com a cabeça do empreendedor, e não com os pensamentos do medo.

Vida que segue.



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