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Os Especialistas

HERÓIS de UMA CAUSA

Vou dar os nomes de dois cidadãos: Josef Allen Hynek e Stanton Terry Friedman.

Dois dos maiores estudiosos e pesquisadores da história da Ufologia. O primeiro faleceu em 1986, aos 76 anos. O segundo, em 2019, aos 84. Ambos dedicaram suas vidas à tentativa de desvendar o mistério dos OVNIs. Morreram sem quem sabe avistar algum, e muito menos terem contato com algum alienígena.

Aqui no Brasil temos Ademar José Gevaerd, editor da revista UFO, pesquisador que está empenhado na busca por desvendar o mistério dos agroglifos, que, para quem ainda não sabe, são marcas, desenhos de círculos e outras formas deixados em plantações em diversos locais do mundo e que só podem ser feitos de cima e jamais por mãos (ou com a utilização de ferramentas produzidas por) humanas.

Muito provavelmente o Geva (como é também conhecido) vai desencarnar sem ver o momento em que uma nave extraterrestre estiver produzindo alguma daquelas marcas. Mas ele, tanto quanto os cientistas que já faleceram, vai morrer com a convicção de que alguma coisa acontece. A mesma convicção que eu, apaixonado que sou desde criança pelo tema dos discos voadores (que foi o primeiro termo cunhado para tratar do assunto), tenho desde sempre.

Se pessoas que dedicaram suas vidas à ideia de elucidar o mistério, que se especializaram sobre o assunto, morreram sem vê-lo esclarecido, ou ainda, sem ter o prazer de ter algum tipo de contato com o fenômeno, o que sobra para mim, que sou apenas curioso? Talvez reste apenas a convicção. A certeza de que alguma coisa acontece e aconteceu desde sempre na história da Humanidade.

No entanto, hoje em dia, com todos os avanços da tecnologia espacial, com satélites de comunicação rastreando e fotografando o que acontece fora e ao redor do planeta, a incidência de avistamentos e notificações de casos reais parece ter diminuído. A literatura sobre o assunto praticamente desapareceu. Podemos até especular que os visitantes extraterrestres sabem que poderão ser identificados e diminuíram as incursões ao planeta, que pode, também, ter deixado de ser interessante para eles.

Mas eu queria chegar num determinado ponto: a especialização.

Cá entre nós, é estranho constatar que às vésperas dos 61 anos não tenho especialização formal sobre coisa nenhuma a não ser, talvez, sobre uma coisa que não se usa mais como profissão, que é a digitação de dados. Uma vez chamada de “a profissão do futuro“, sua prática desapareceu antes que o futuro chegasse.

Quando falo em especialização formal estou me referindo a ter conhecimento genérico sobre vários assuntos e atividades. Não chega a ser o mesmo que dizer que “eu sei de quase tudo um pouco, e quase tudo mal“. Algumas coisas eu entendo bem, mas não sou especialista.

Agora me ocorreu que isso faz com que eu escape daquela armadilha mencionada pelo Dyer (Wayne W.) sobre a identificação com o que a pessoa faz para ganhar a vida. Ele dizia que “se você é o que faz, então quando não faz, não é“, o que para muita gente pode significar ficar perdido na vida sem o trabalho. Eu escapo disso porque não me especializei em nada, nem me identifiquei com a atividade profissional.

Infelizmente o lado ruim é que hoje em dia venho aqui e não tenho muito sobre o que escrever a não ser dados biográficos.

Claro que nunca é tarde para aprender, mas também tenho convicção de que qualquer coisa que eu venha a aprender a esta altura da vida certamente não terá tempo para agregar nada à vida de alguém.


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