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Uma Reação (6)

TOC, TOC, TEM ALGUÉM AÍ?

Uma vez por semana, toda 6ª-feira, um ouvinte participa do Sala de Redação nos estúdios da Rádio Gaúcha. Para isso ele deve ter entrado em um saite de internet, ter escrito em 160 caracteres com qual dos integrantes do programa se identifica e por quê, e depois ter sido sorteado para comparecer ao programa.

Eu já poderia ter feito isso várias vezes. Um primo-irmão meu já esteve duas vezes no Sala, em outra época, com outros participantes. Mas toda vez que eu penso em escrever alguma coisa e mandar (e posso fazer quantas tentativas quiser) eu me pergunto o que isso poderia trazer de bom para mim. Quando escuto o programa, quase todos os dias, às vezes há momentos em que tenho restrições ao que algum deles está dizendo; ao tipo que alguns deles fazem; e por aí vai.

(nos dias atuais) Ver aqueles jornalistas, os cantores, o ator, de perto, o que vai me acrescentar, de verdade? São pessoas como eu, dando palpites sobre futebol. Não consigo ver no que as opiniões deles possam ser tão melhores do que as minhas próprias (e não são), ou se for o caso de algum deles dizer alguma coisa igual ao que eu penso, como também acontece, posso só escutar no rádio, não preciso estar lá; não preciso da validação pública do meu jeito de ver futebol, em especial o futebol do Grêmio.

Já pensei, entretanto, no que dizer quando chega naquele momento em que eles liberam o visitante para mandar seus abraços. É a hora em que alguns tiram uma lista do bolso e começam a lembrar de fulano, fulano e fulano, a turma do futebol de quarta, a do futebol de quinta, do final de semana, blá, blá. Eu não faria nada disso.

Minha ideia seria mandar um recado para aqueles que acham que futebol é uma guerra. Que acham que quem torce para o rival é inimigo. Gente ignorante, intolerante, que agride mulheres de quaisquer idades (e homens, também) só porque estão perto de um símbolo ou usando a camisa do rival.

Todos temos amigos e parentes que torcem para um e outro lado. O futebol paga as contas de quem vive de futebol. As minhas ele não paga. Então por que eu deveria entrar e conflito com pessoas por causa disso? Meu melhor amigo é colorado, já perdemos e ganhamos GreNal, campeonatos, a América, o Mundo, e daí? O que é que isso muda na vida de alguém que não viva de futebol? Se nem nossos filhos se pegando a pau, quando eram pequenos, abalou a nossa amizade, por que o futebol faria isso? Meu recado para essa gente que não tem noção do ridículo de arrumar inimizade por causa de futebol seria este.

O pior é que o mesmo se dá com política, com religião, defesa dos Direitos Humanos, com machismo, feminismo, etc. Estes outros temas, verdadeiramente sérios, até poderiam gerar inimizades, mas futebol? Vão arrumar coisa melhor para fazer.


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